O Homem e o Mar - Os açorianos e a pesca longínqua nos bancos da Terra nova e Gronelândia

O Homem e o Mar - Os açorianos e a pesca longínqua nos bancos da Terra nova e Gronelândia.

Autor: João A.Gomes Vieira; Línguas: Português / Inglês

Mais detalhes

«“O Homem e o Mar – Os Açorianos e a Pesca Longínqua nos Bancos da Terra Nova e Gronelândia” é o título do último livro do florentino João Gomes Vieira e que, de certa forma, conclúi uma trilogia iniciada em “O Homem e o Mar – Embarcações dos Açores” (2002) e continuada com “O Homem e o Mar – Artistas Portugueses do Marfim e do Osso dos Cetáceos – Açores e Madeira. Vidas e Obras” (2003). Tal como aqueles, também este é um livro sem precedentes entre nós em termos de abordagem temática. Esta é também uma edição bilingue (português e inglês), apresentando-se, tal como as outras, profusamente ilustrada e com inexcedível qualidade gráfica, saltando à vista a riqueza iconográfica da obra.
Estudioso dinâmico e apaixonado pela historiografia e etnografia marítima, João Gomes Vieira disponibiliza dados que são fundamentais para o conhecimento da participação dos açorianos na pesca do bacalhau nos mares gélidos, brumosos e tempestuosos da Terra Nova e Gronelândia, procedendo a uma minuciosa inventariação de todo um património que os novos tempos vão atirando para o esquecimento. Bem documentado e informado, fá-lo criteriosa e meticulosamente, num trabalho de pesquisa a requerer aturado esforço.
A pesca do bacalhau terá começado a interessar aos portugueses na viragem do século XV para o século XVI. Por ser peixe fácil de conservar impôs-se com facilidade nos hábitos alimentares dos lusitanos. Os açorianos destacam-se, desde cedo, na pesca à linha nos navios bacalhoeiros. Aliás, tudo leva a crer que pescavam na Terra Nova desde os tempos dos Cortes-Reais e a certeza de que o faziam a partir de 1500, havendo a considerar este dado histórico inapelável: os bacalhoeiros, nas suas viagens de regresso a Portugal, faziam escala nos Açores. A partir de 1880 há registos consistentes que dão testemunho de um número considerável de açorianos a trabalharem nos bancos da Terra Nova e Gronelândia. O contributo insular foi de tal forma importante que, nas últimas décadas do século XIX, toda a frota bacalhoeira portuguesa se encontrava na posse de armadores dos Açores, ainda que operando a partir da Figueira da Foz e de Lisboa. Recorde-se que, mais tarde, a frota bacalhoeira portuguesa chegou a atingir a meia centena de navios (no ano de 1936). Estes são apenas alguns dados a partir dos quais João Gomes Vieira lança olhares históricos à frota bacalhoeira portuguesa, tecendo considerações sobre as duras condições de vida a bordo dos navios bacalhoeiros, a faina piscatória (seus métodos, processos e técnicas), a lavagem e seca do bacalhau, a história das empresas bacalhoeiras, dando a conhecer inventários, registos, números, documentos, glossário, notícias de jornais, biografias, depoimentos, testemunhos e memórias de armadores, capitães e pescadores.
Mas este é essencialmente um livro de navios e navegações, de borrascas e calmarias, de chegadas e partidas – símbolo maior da errância açoriana. Por isso o autor presta justíssima homenagem aos lugres Creoula e Argus (deles traçando minucioso historial), mas também a outros: Júlia (I, II, III e IV), Gazela I, Oliveirense, Labrador, Gamo e Nossa Senhora dos Anjos, havendo ainda a considerar a escuna Hortense e o iate bacalhoeiro Autonómico Açoreano.
Saudemos este livro e o seu autor que, de forma contínua e continuada, vem investigando o património do mar.»